A cada edição do BBB, Pedro Bial convida a dar uma “espiadinha” (com s) no que acontece na casa, mas depois da polêmica com o episódio do estupro, que rendeu a melhor audiência até agora e a eliminação de um dos participantes por “comportamento inadequado”, não seria o caso de dar uma “expiadinha” (com x) nos pecados dos brothers e sisters?
O trocadilho “espiar” e “expiar” pode até fazer pouco sentido nestes tempos em que a noção de pecado, transgressão moral etc. é tão elástica quanto a retórica da direção do programa e tão facilmente escondida debaixo do edredom.
Todavia, é sintomático que “espiar o que acontece na casa” seja incentivado, mas o comportamento moral dos participantes seja escondido, editado e negado à exaustão, até que o óbvio fica claro: um limite foi rompido até mesmo para os padrões morais flexíveis do BBB.
Se houve um estupro ou se houve sexo consensual, espera-se que as autoridades investiguem, mas o fato é que nesta edição, bem como em outras anteriores, o reality show se propõe a ultrapassar certos limites em nome de uma moralidade, que nem é tão nova assim, porque representa a legitimação da primazia soberana do desejo sobre o limite.
O ser humano, insaciavelmente desejante por prazeres os mais diversos, sempre esbarrou nos limites impostos pelo ambiente, pela cultura, por sua própria consciência e pela lei de Deus. “Nem tudo que eu quero, eu posso ou eu devo” é a lição primeira que toda criança aprende para poder conviver com outros e em paz consigo mesma.
E é nesse ponto de divergência entre o desejo e o limite, entre o que eu quero compulsivamente e o que é possível, certo, saudável e digno, que a idéia de expiar (com x) precisa ser compreendida e aplicada.
Só é possível “expiar” (com x) completamente se for possível claramente “espiar” (com s). Em outras palavras, o erro que não se expõe à luz, diante da vista de todos, especialmente de Deus, não pode ser coberto, isto é, expiado pela graça divina.
É neste sentido que o rei Davi – um especialista no assunto! – confessa a Deus no Salmo 32:
“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia, porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado”.
Salomão, outro especialista em Deus e em mulheres, afirma em um de seus provérbios: “Aquele que encobre as suas transgressões, jamais prosperará, mas aquele que as confessa e deixa, alcançará misericórdia”.
Curioso é que na língua hebraica, que ambos falavam e escreviam, “expiar” (com x) vem da raiz “cobrir”, mas não no sentido de “encobrir”, “esconder”, mas de humildemente confessar à Aquele que tudo vê, e que também é o Único que tem perdão para oferecer a qualquer pecado, até mesmo aqueles cometidos debaixo do edredom.
O que cobre (expia) o pecado do homem é o sangue de Jesus, o que torna Deus propício, isto é, gracioso para conosco. Por isso, o objeto mais sagrado do Templo – a Arca da Aliança, que guardava a Lei do Senhor – era coberta pela tampa do Propiciatório. No Dia do Perdão (Yom Kippur) era sobre seus quatro cantos que se aspergia o sangue do cordeiro inocente, que prefigurava Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Vamos dar uma “expiadinha”!
Robinson Granjeiro
Pastor da IP Tambau, Joāo Pessoa
www.ipb.org.br/bbb/
O trocadilho “espiar” e “expiar” pode até fazer pouco sentido nestes tempos em que a noção de pecado, transgressão moral etc. é tão elástica quanto a retórica da direção do programa e tão facilmente escondida debaixo do edredom.
Todavia, é sintomático que “espiar o que acontece na casa” seja incentivado, mas o comportamento moral dos participantes seja escondido, editado e negado à exaustão, até que o óbvio fica claro: um limite foi rompido até mesmo para os padrões morais flexíveis do BBB.
Se houve um estupro ou se houve sexo consensual, espera-se que as autoridades investiguem, mas o fato é que nesta edição, bem como em outras anteriores, o reality show se propõe a ultrapassar certos limites em nome de uma moralidade, que nem é tão nova assim, porque representa a legitimação da primazia soberana do desejo sobre o limite.
O ser humano, insaciavelmente desejante por prazeres os mais diversos, sempre esbarrou nos limites impostos pelo ambiente, pela cultura, por sua própria consciência e pela lei de Deus. “Nem tudo que eu quero, eu posso ou eu devo” é a lição primeira que toda criança aprende para poder conviver com outros e em paz consigo mesma.
E é nesse ponto de divergência entre o desejo e o limite, entre o que eu quero compulsivamente e o que é possível, certo, saudável e digno, que a idéia de expiar (com x) precisa ser compreendida e aplicada.
Só é possível “expiar” (com x) completamente se for possível claramente “espiar” (com s). Em outras palavras, o erro que não se expõe à luz, diante da vista de todos, especialmente de Deus, não pode ser coberto, isto é, expiado pela graça divina.
É neste sentido que o rei Davi – um especialista no assunto! – confessa a Deus no Salmo 32:
“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia, porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado”.
Salomão, outro especialista em Deus e em mulheres, afirma em um de seus provérbios: “Aquele que encobre as suas transgressões, jamais prosperará, mas aquele que as confessa e deixa, alcançará misericórdia”.
Curioso é que na língua hebraica, que ambos falavam e escreviam, “expiar” (com x) vem da raiz “cobrir”, mas não no sentido de “encobrir”, “esconder”, mas de humildemente confessar à Aquele que tudo vê, e que também é o Único que tem perdão para oferecer a qualquer pecado, até mesmo aqueles cometidos debaixo do edredom.
O que cobre (expia) o pecado do homem é o sangue de Jesus, o que torna Deus propício, isto é, gracioso para conosco. Por isso, o objeto mais sagrado do Templo – a Arca da Aliança, que guardava a Lei do Senhor – era coberta pela tampa do Propiciatório. No Dia do Perdão (Yom Kippur) era sobre seus quatro cantos que se aspergia o sangue do cordeiro inocente, que prefigurava Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Vamos dar uma “expiadinha”!
Robinson Granjeiro
Pastor da IP Tambau, Joāo Pessoa
www.ipb.org.br/bbb/


